marketing digital

10 Anos de Facebook. Mais Prós do que Contras?

Debate sobre os 10 anos do Facebook com ilustres colegas: Filipe Carrera, Andre Novais de Paula, João Miguel Lopes, Vasco Marquee o convidado Gil Fonseca (escritor e auto-excluído do Facebook)

Ronaldo e Pepsi juntos em campanha solidária

casa dos rapazes

Parece que vamos ter o Ronaldo e a Pepsi juntos em campanha solidária. Parece que a “brincadeira” da Pepsi saiu cara (pode ser que o ROI surpreenda).

Dia 8 de Janeiro, diz Ronaldo no seu Facebook que “Ninguém é perfeito e todos erramos. O mais importante é pedir desculpas e demonstrar que o que sentes é verdadeiro. Por isso… desculpas aceites, Pepsi!”
Reforça ainda que: “E como em Portugal uma acção vale mais que mil palavras, temos estado a trabalhar no apoio a uma causa solidária que desvendaremos em breve. Fiquem atentos!

No dia 9 de Janeiro, reforça com a mensagem “Hoje é um dia em grande! Em conjunto com a Pepsi concretizámos o nosso apoio a uma causa nobre: completar o financiamento para o projeto de construção das novas instalações da Casa dos Rapazes. Com esta iniciativa os 20 rapazes vão poder contar com uma casa nova e uma área desportiva. Um projeto conjunto que irá mudar a vida destes jovens e de todos os que forem acolhidos no futuro por esta casa.”

Em dois dias o Ronaldo coloca duas atualizações em defesa da Pepsi.

Sinceramente, acho que associar uma ação solidária a este “cenário” foi uma jogada muito interessante contudo, deixo algumas questões no ar:

  • Será mais um caso onde uma situação de crise se transforma em oportunidade?
  • Será que quem diz ter deixado de beber Pepsi voltará a beber?
  • Será que está solução vai gerar uma onda de descontentamento junto dos fãs do Messi?

Vamos ver o que isto vai dar mas se me permitem o desabafo, é fabuloso ver como o digital influência as decisões operacionais das marcas. Espero que este tipo de casos sirvam para o Marketing crescer e para todos nós evoluirmos e aprendermos que os erros podem sair caros e que o digital deve ser encarado com seriedade e não como um ambiente exclusivamente de entretenimento onde vale tudo.

Portugal, Ronaldo, Pepsi e outras coisas..

 

E viva Portugal!

Sobre o resto:

1 – a pepsi perdeu uma grande oportunidade para brilhar em Portugal respondendo com humor à provocação da pepsi sueca. Na minha opinião, deu demasiada importância à coisa e foi demasiado formal..

2 – a versão do hino nacional com guitarra portuguesa (ouvi na tsf no dia do jogo e vi hoje na TV) é fabulosa..

3 – a Seleção Nacional pode aproveitar esta euforia para investir na campanha “eu estou aqui”. Tem tudo para funcionar!

4 – A maioria das pessoas que dizem que vão deixar de beber pepsi por causa disto, provavelmente não bebem Pepsi. Será que os fãs da Pepsi deixarão de consumir?

5- Para além de fãs da seleção e do Ronaldo, muitos críticos são também fãs da coca-cola ou seja, 3 Marcas enormes e globais unidas..

6 – Indiscutivelmente uma Marca global como a Pepsi tem que pensar global e agir localmente. Será que há algum propósito que nos esteja a escapar nisto tudo? Foi ingenuidade de uma das maiores empresas do Mundo?

7 – Muitas pequenas agências têm aqui uma boa oportunidade para criarem um bom conteúdo, que se torne viral, para mostrar o seu trabalho e respetiva criatividade (já tenho visto algumas tentativas interessantes)

8 – O nosso governo teve uns momentos de paz

9 – Vamos ao mundial!!

Plano de Marketing Digital #Hangout

Hangout sobre Plano de Marketing Digital com Vasco Marques.
Desculpem o “eco” mas o Vasco estava a testar novo material.

Vejam também este artigo que pode ajudar: Estrutura base para um plano de marketing 

Seminário Marketing Digital – 24 Abril – IPAM Porto

Pós Graduação em Marketing Digital do IPAM

 

Tenho tido o prazer de colaborar com a Pós-Graduação em Marketing Digital no IPAM e tive conhecimento que estão abertas as inscrições para Lisboa e Porto.

Estas edições vão arrancar já em Abril

Toda a informação disponível em Pós Graduação em Marketing Digital

Dois vídeos da Carlsberg que merecem a nossa atenção

Sessão fotográfica para a Notícias Magazine

Hoje andei a fazer estas figuras numa sessão fotográfica para a Notícias Magazine no âmbito de uma entrevista sobre as novas profissões que surgiram com o crescimento e o desenvolvimento das redes sociais.

Gente 5 estrelas!

Depois partilho o resultado final..

Hangout: O Papel das Redes Sociais no Plano de Marketing

Hangout com Filipe Carrera, João Miguel Lopes, Nelson Pimenta, e Nuno Rodrigues com o tema: O Papel das Redes Sociais no Plano de Marketing

Pós Graduação Marketing na Gestão – Cenertec

A formação tem sido uma das minhas áreas de aposta e tenho adorado o “ritmo” que este tipo de trabalho exige. Temos que estar sempre actualizados, permite-nos conhecer gente fabulosa e ao mesmo tempo aprender muito com a experiência e o conhecimento dos alunos.

Desta vez, venho partilhar uma pós graduação em Marketing na Gestão, para a qual fui convidado para leccionar o modulo de Marketing Digital. A Pós Graduação começa já no dia 15 de Fevereiro.

Apresentação

O Curso de Pós-graduação em MARKETING NA GESTÃO (PG-MG), coordenado pela Prof. Doutora Raquel Reis, destina-se a todos os profissionais que queiram desenvolver as suas competências na área do Marketing.

A diferenciação é o conceito-chave desta PG-MG. A possibilidade de descobrir uma grande variedade de temas no Marketing, fortemente inovadores, de curta duração, através de doze Módulos de 8 horas (sempre Sexta e Sábado seguidos) e doze Seminários de 4 horas (Sexta ou Sábado).

A ideia central desta Pós-Graduação foi conseguir abordar 24 temas, fundamentais no Marketing e na Gestão, em 4 meses. Neste sentido, os Participantes terão acesso a 24 Docentes, “Top” nas suas áreas, ligados ao mundo empresarial e académico, com reconhecida experiência prática, elevada notoriedade e reputação nacional e internacional.

Módulos            

Marketing Relacional

Raquel Reis,CENERTEC e Universidade Lusíada

CRM – Gestão do Relacionamento com o Cliente

André Novais de Paula, Directimedia e IPAM

Estratégia em Marketing

Pedro Ferreira, IPAM e Universidade Lusíada

Marketing Operacional

Pedro Miguel Barbosa, El Corte Ingles, IPAM, Porto Business School e ESPRI

Trends in Marketing

Luis Rasquilha, AYR Consulting Worldwide

Marketing Digital

Paulo Morais, Follow Reference, Marketing Portugal e IPAM

Facebook Marketing

Vasco Marques, Future-Studios.com

Comunicação

Jorge Remondes , Universidade Lusíada

Marketing Low Cost

Nunes Carneiro, IPAM

Comportamento do Consumidor

Francisco Teixeira, Consumer Behavior Portugal

Estudos de Mercado

Jael Assunção, 7º Sentido, ESERP Business School, Staffordshire University e ESPRI

Plano de Marketing

Hugo Torres, KOSTER Bauchemie AG e IPAM

Seminários

Marketing, Personalização e Sistemas de Informação

José Luís Reis, IPAM, ISMAI e Católica Business School

Email Marketing

Hugo Pascoal, Consultor e Formador

Marketing Pessoal

Tânia João Almendra, Missão Mágica

Apresentações em Público

Moreira da Silva, Professor e Consultor Sénior

Mobile Marketing

Helder Barbedo, 4Best – New Media Studios

Linkedin Pessoal e Empresarial

Pedro Caramez, LinkedPortugal e IPVC

Publicidade

Maria João Aguiar, Multi-Mall Management

Design e Marketing

Vitor Varão, ESAD

Neuromarketing

Fernando Rodrigues, PsicoSoma

Gestão da Marca

Ricardo Mena, MM+A e ISVOUGA

Responsabilidade Social e Ética em Marketing

Moritz von Schwedler, Universidade do Minho e Universidade Lusíada

Sucesso Empresarial através das Pessoas

Albino Reis, CENERTEC

 

Para mais informações, visitem o site da Pós Graduação em Marketing na Gestão promovido pela Cenertec

Showrooming: Pesquisa offline, compra online

A IBM – Portugal partilhou no Facebook estes dados referindo que “a tendência começa a inverter-se. Cada vez mais pessoas procuram na loja o que vão mais tarde comprar online: uma prática que ganhou o nome de “Showrooming”. 
De acordo com um novo estudo da IBM, o Showrooming tem já um peso de 50% nas compras online“. Ver 

Sem dúvida uma realidade que devemos considerar em paralelo com o já conhecido efeito ROPO – Research online, Purchase offline.

Estes são conceitos que todos os profissionais de Marketing devem conhecer e que, finalmente, nos estão a conduzir para estratégias de Marketing Integradas entre o mundo online e o offline.

Há empresas que, ignoram por completo esta realidade e optam por investir em departamentos completamente distintos para trabalhar o “online” e o “offline”.

A realidade é que muitas vezes os clientes vão às lojas perguntar por produtos que são promovidos na web e não há coerência, no ponto de venda não sabem do que o cliente está a falar.

Eu percebo que a Internet cria novas oportunidades de negócios contudo, quando falamos de Marcas com grande notoriedade, o cliente relaciona-se com a Marca como tal, todos os pontos de venda devem estar em perfeita harmonia.

O conceito Showrooming – pesquisar offline e comprar online – está a crescer porque os consumidores já perceberam as diversas vantagens de comprar online.

Uma das grandes barreiras da venda online é a impossibilidade de manusear um produto por exemplo, se queremos comprar uma peça de roupa, ou testar um computador, não temos possibilidade experimentar e testar para ver se é mesmo o que pretendemos. Barreira que é contornada através da “pesquisa offline”.

Outra questão que tem levado o consumidor a optar pela compra online tem a ver com o preço. Podemos ir a um ponto de venda, recolher informação sobre diversos produtos, analisar alternativas, selecionar a melhor alternativa e depois procurar na Internet o melhor preço. Isto acontece muito com produtos tecnológicos ou mesmo com viagens.

O consumidor testa uma maquina fotográfica na loja mais próxima e depois procura o melhor preço no “mundo” digital.

Não restam dúvidas, a concorrência dos negócios locais começa a ser verdadeiramente global.

Ler: How Retailers Can Make Stronger Connections to ‘Transitioning Shoppers

Campanha da Samsung com bloggers nacionais não correu bem..

 

“Colocar uma Marca num terreno desconhecido, é uma das principais causas de morte tanto da Marca como da empresa em si.”

(AL Ries e Jack Trout)

Todos estamos sensíveis para a importância da informação na Internet e, cada vez mais, aparecem novos lideres de opinião ligados à blogosfera.

A Samsung Portugal criou uma campanha interessante onde diversos bloggers influentes gravaram vídeos a falar do seu ano (2012) e dos seus desejos para 2013.

Os bloggers identificados foram:

A Samsung, de forma inteligente, procurou aproveitar a rede destes bloggers nacionais para, através de técnicas de “product placement” aumentar a notoriedade da Marca e, eventualmente, aproximar a Marca de um nicho de mercado especifico.

Em todos os vídeos, os protagonistas aparecem a interagir com produtos Samsung despertando assim o interesse junto da audiência. Como sabemos, um dos principais objectivos do “endorsement” é influenciar a venda de produtos através de personalidades com as quais o potencial cliente se identifique.

No meu ponto de vista a campanha até tinha tudo para funcionar contudo, na conjuntura actual, temos que estar sensíveis para as necessidades e carências da maioria dos portugueses e, estes vídeos, para muitas pessoas são demasiado “materialistas”, o que pode surtir um efeito completamente oposto ao esperado pela Samsung.

Depois de as coisas estarem “no ar” é fácil opinar contudo, um video como o da Pepa Xavier, deveria ser muito bem analisado antes de ir para o ar. Partindo do pressuposto que o consumidor digital é bastante critico relativamente a questões de consumismo, foi um grande risco associar a Marca a um vídeo onde alguém, entre outras coisas, diz que para 2013 gostava imenso de ter uma mala “chanel preta”.

O que está aqui em causa não são os desejos da Pepa Xavier mas sim a relação deste vídeo com uma Marca como a Samsung que tem como um dos seus valores a co-prosperidade.

Um dos grandes riscos nas campanhas que recorrem a técnicas de endorsement é a associação da Marca aos protagonistas escolhidos, para o bem e para o mal. Estou certo que a Samsung não pretendia transmitir algumas das mensagens que os bloggers transmitiram todavia, vai acabar por “pagar” por isso.

Vamos ver as cenas dos próximos capítulos mas, o buzz negativo em torno da Samsung e de alguns destes bloggers já começou.

São decisões erradas que acontecem e vão continuar a acontecer porque, na verdade, todos nós estamos ainda a conhecer este novo “ambiente” de iteração e relacionamento com os clientes.

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Nota1: Os vídeos da campanha estão a ser removidos do youtube, é normal que não os consiga ver.

Nota 2: Sou cliente, satisfeito, da Samsung!

O Marketing é uma função organizacional: Banco Santander Totta

Enquanto as Marcas não perceberem que o Marketing é uma função organizacional e deve ser transversal a toda a empresa e a todos os colaboradores, que cada acção em qualquer momento da verdade (telefone, ponto de venda, e-mail, redes sociais, etc..) pode comprometer toda a estratégia da Marca, casos como o do Banco Santander Totta vão continuar a acontecer sem que a organização esteja preparada para reagir em conformidade.

A imprensa está a apostar neste tipo de notícia considerando tudo verdadeiro, prejudicando a imagem da Marca como tal, mais do que nunca, os departamentos de relações públicas têm que estar alinhados.

E se este vídeo foi feito propositadamente com o intuito de prejudicar o Banco Santander Totta? E o que se passou antes das imagens divulgadas no vídeo? Isso são questões que não são esclarecidas e, na verdade não interessam. O que interessa é o que está gravado e a indignação que se gerou em torno da Marca, isso é que “faz” notícia e que gera visualizações. Talvez depois se venha a apurar o resto mas, a indignação e o buzz negativo já se alastrou.

Esta é a realidade com que todas as Marcas têm que aprender a lidar, criando mecanismos e procedimentos internos e externos para reagir.

O que aconteceu?

Notícia: Banco só atendeu na rua cliente “mal vestido”

Posteriormente o Santander colocou na sua página do Facebook o seguinte post:

Nota de esclarecimento face à notícia veiculada hoje pela comunicação social:

O Banco Santander Totta declara que abriu um procedimento interno em ordem a apurar os factos que efectivamente ocorreram.
O Banco Santander Totta nunca defendeu nem nunca defenderá uma política discriminatória de clientes, seja por que razão for. Independentemente das circunstâncias que tenham gerado este incidente, lamentamos profundamente o sucedido. Como já referimos, está em curso um processo de inquérito interno e o Banco não deixará de ser firme, e actuará conforme se justificar.

Obrigado, Banco Santander Totta

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Nota

Não me vou alongar muito mais sobre este assunto, nem vou discutir a decisão de “postar” este comentário no Facebook, quero apenas referir que  numa altura em que as Marcas se estão a humanizar, assinar como “Banco Santander Totta” mostra distanciamento e desconhecimento perante a realidade dos meios onde estão a actuar.

As Marcas devem ter um rosto que assume responsabilidade perante um processo. Este rosto é importante para a relação com a imprensa e, obviamente, para credibilizar a mensagem junto dos seus seguidores (clientes e potenciais clientes). Neste caso o texto pareceu-me “standard” para qualquer situação, algo que deve ser evitado.

Este é um bom caso que nos ensina que há cenários difíceis de prever e que a gestão de crise nos social media é um processo complexo e exigente, que deve ser complementado com formação para toda a equipa.

Gestão de crise: Com ou sem razão os utilizadores estão implacáveis

Artigo publicado no Marketing Portugal (21/11/2012)

Gestão de crise: Com ou sem razão os utilizadores estão implacáveis

Ultimamente temos assistido a uma “avalanche” de comentários negativos direcionados a Marcas que, continuam a não perceber o que é estar nas Redes Sociais. O poder está cada vez mais nas mãos dos utilizadores.

Vários estudos têm servido para alertar as Marcas que o consumidor confia e, diria eu, acredita, na informação que lê on-line (seja proveniente de fontes conhecidas ou não).

Só nos últimos dias, pelo menos duas Marcas, em Portugal, sentiram na “pele” este tipo de comportamento através do Facebook – Maria Bolacha (que já desativou a sua página) e o Lidl Portugal.

Embora sejam casos completamente distintos, somos obrigados a refletir sobre a forma que determinados comportamentos no off-line se propagam para on-line.

Geralmente tudo começa com o relato de um caso que sensibiliza os utilizadores. Casos onde impera a “injustiça”(questões ambientais, sociais, éticas, culturais) são levados ao extremo e a “comunidade web” mobiliza-se de imediato para “impor a ordem”, sem fazer a mínima ideia se o que foi relatado é verdadeiro ou falso. Confiam!

Estes dois exemplos recentes demonstram como as Marcas, independentemente da sua dimensão, podem ser apanhas desprevenidas na rede. Reparem que a agência de comunicação (se for o caso), que está responsável por toda a estratégia digital até pode estar a seguir todas as boas práticas “by the book” mas, uma situação inesperada (fora da “zona” de controlo) pode comprometer tudo.

O que me espanta no meio disto tudo é a forma ingénua como as Marcas continuam a trabalhar o on-line achando que a “crise” nunca irá bater à sua porta.

Até posso tentar compreender que, tendo em conta o desconhecimento deste terreno, as Marcas, numa primeira abordagem, não estejam dispostas a investir (recursos humanos, tempo e dinheiro) num plano de Gestão de Crise nos Social Media mas, não compreendo que não haja pelo menos uma orientação para unir esforços em caso de “buzz negativo”. Quanto mais não seja, podiam aprender alguma coisa com o que já aconteceu a outras Marcas.

Há muitas organizações (talvez a maioria) que estão completamente expostas a situações deste género, sem qualquer capacidade de reação.

Comunicação unidirecional: C2M (Consumidor – Marca)

As Marcas estão habituadas a errar e a ouvirem reclamações. O que não estão habituadas é a lidar com tanta exposição onde tudo se debate em “praça pública”, onde o utilizador impõe justiça invertendo o processo de comunicação tradicional ou seja, antigamente a Marca comunicava com o consumidor sem o ouvir hoje, em muitas situações, é o consumidor (utilizador) que comunica com a Marca sem a querer ouvir.

Como tenho vindo a defender, as Marcas têm de ser transparentes e, quando se procuram defender, devem relatar a sua versão evitando remeter para uma situação que está a ser resolvida “judicialmente” (mesmo que isso faça todo o sentido!). As pessoas acreditam na história que leram, seja verdadeira ou não, por isso a Marca em questão só tem que partilhar a sua visão dos procedimentos, não por estar preocupada com os utilizadores que “falam por falar” mas, pelo menos, para proteger o seu cliente, o seu principal ativo.

Identifico que o principal obstáculo a este nível começa por conseguir que os responsáveis pelas Marcas, sejam transparentes e sinceros com eles próprios quando estão a definir a “sua” identidade. É demasiado frequente vermos profissionais que acham que nada pode “danificar” a imagem da Marca e, quando começamos a aprofundar esta análise percebemos que há clientes insatisfeitos, dívidas a fornecedores, mensagens de comunicação pouco claras, entre outras coisas que são “desprezadas” por quem está, emocionalmente, envolvido no processo. Precisamos de algum distanciamento nesta análise.

A capacidade de resposta é fundamental. Se o cliente de uma Marca percebe que algo de menos bom se passa, vai ao Facebook ou ao site da Marca procurar mais informação (ou pesquisa no Google). Se durante este processo de pesquisa não encontra informação que o esclareça, na melhor das hipóteses, vai ficar na dúvida.

Na minha opinião, nestes casos devemos ser ponderados. Sou o primeiro a dizer que muitas vezes não devemos dar demasiada importância a comentários que só têm um objetivo – deitar abaixo.

No caso do Lidl, que tem apresentado bons indicadores de crescimento no Facebook, a preocupação deve passar proteger a sua rede destes “ataques” não ignorando a situação (a este nível, uma comunicação via Facebook Ads, direcionada para os membros da Página, pode ser relevante). Vemos muitos utilizadores a questionarem a veracidade do assunto como tal, cabe à Marca ter capacidade para se “defender”, se for o caso.

Sinceramente, acredito que muitas pessoas, tal como eu, duvidem desta história da forma como ela está a ser contada contudo, a Marca tem que se fazer “ouvir”.

Já agora, deve haver um esforço redobrado para responder aos comentários que de facto demonstram interesse em saber mais sobre o assunto e que até dão o beneficio da dúvida. Não se deve desprezar esses “apoios” e, cuidado com os comentários que nada têm a ver com o despedimento em causa e acabam por ficar sem resposta como por exemplo – “o passado dia 15-11-2012, fui mais uma vez a uma das vossas lojas, e entre as outras compras, comprei leite com chocolate mimosa. depois de as abrir, duas das unidades estavam completamente estragadas. a validade era ate dia 14/03/2013”.

Papel dos órgãos de comunicação social

Outra questão relevante, que acaba por propagar ainda mais este tipo de informação, é a forma como a imprensa tem reagido a este tipo de situação. Vale tudo!
A imprensa está muito mais disponível a este tipo de matéria. Abre as portas à polémica e o jornalismo fácil faz com que se publiquem factos sem os apurar. O título publicado pelo JN – Funcionário do Lidl quis ajudar cliente e foi despedido – demonstra bem a intenção da notícia e, mesmo remetendo para a edição e-paper ou para a edição impressa, onde pode haver mais factos sobre o assunto, mais de 4.800 pessoas já tinham partilhado esta notícia para o Facebook. A informação, só por aqui, já se está a propagar.

Esta realidade aumenta a responsabilidade dos profissionais de Relações Públicas que têm que ser implacáveis na proximidade com os órgãos de comunicação social, não com o intuito de abafar ou censurar notícias mas para terem oportunidade de reagir rapidamente.

A relação com os media tem como principal objetivo atingir determinado público-alvo (sejam os jornalistas ou a sua audiência) como tal, se a presença digital das Marcas estiver, estrategicamente alinhada, conseguirão através dos seus próprios meios, atingir esse “target”, não ficando refém dos órgãos de comunicação social (que apesar de tudo ainda têm um papel indispensável na credibilização da informação).

Justiceiros também conseguem ser bem injustos

Por outro lado, é curioso ver a forma como os utilizadores procuram fazer justiça através da sua opinião, esquecendo-se dos danos que isso pode causar nos inocentes.

Se empresas como o Lidl têm quebras nas vendas ou em último caso fecham as portas (que não irá certamente acontecer por este motivo), muitas pessoas ficarão sem emprego, sem qualquer culpa.

Nós, enquanto cidadãos, utilizadores, produtores de informação e opinião, e profissionais, temos que ter consciência de que os nossos atos causam danos muitas vezes são irreversíveis, mesmo quando a Marca demonstra que tem razão ou quando tudo se resolve.

Temos que ter consciência que na web tudo se diz, tudo se partilha e tudo se propaga, seja verdadeiro ou não como tal, é importante procurar outras fontes e garantir a veracidade dos factos antes da partilha. Devemos procurar sensibilizar os utilizadores para esta realidade.

Para os profissionais de Marketing, este é um desafio constante e só se consegue “combater” garantindo que existe valor percebido por parte dos clientes. A forma como nos relacionamos é fundamental – através do contacto continuo, compromisso e valor acrescentado – e devemos procurar a recomendação honesta e voluntária, originando situações de “buzz positivo”.

No caso concreto do Lidl, em vez de comunicarem que – “Importa salientar, que o Lidl apoia inúmeras instituições e causas solidárias no âmbito da política de responsabilidade social (…) “ – deveriam pelo menos colocar no seu site, logo na homepage e com visibilidade, um conjunto de ações que tenham desenvolvido no âmbito da sua política de responsabilidade social. Este link podia acompanhar o comunicado para mostrar algumas das ações que desenvolveram. Assumir que todos conhecem essas ações é um erro.

Estes cenários, aparentemente desfavoráveis para a Marca, podem ser excelentes oportunidades para reforçar o seu posicionamento junto de um utilizador mais desconfiando. Na verdade, muitas pessoas estão atentas à espera de uma resposta dos responsáveis.

Quanto maior o barco, mais tempo demora a virar

Gosto de analisar estes casos, não pela forma como atingem as Marcas mas pela aprendizagem que nos auferem. Não é possível prever todos os cenários como tal, aprender com os erros dos outros é uma mais-valia para todos.

Todos sabemos que as Marcas devem reagir com rapidez e, quem trabalha nesta área por vezes sente alguma dificuldade em perceber como empresas de maior dimensão não se organizam a este nível quando têm nas suas equipas profissionais de topo.

O que eu tenho percebido junto deste tipo de empresas assenta essencialmente em três pilares:

1º As chefias (administradores) são conservadoras e não estão minimamente sensibilizados para o “digital”. Sabem que é uma área em crescimento mas ainda consideram que isso passa ao lado das suas Marcas. Tentam resistir ao máximo ignorando os “alertas” enviados pelos profissionais responsáveis por estas áreas. Geralmente os profissionais de Marketing (RP, gestão da Marca, etc..) têm aqui o primeiro entrave. Na verdade sabem perfeitamente o que fazer e como fazer, têm as agências que os apoiam e encaminham, têm estudos realizados mas, não têm a equipa orientada para os novos paradigmas empresariais e, na verdade, isto deve ser um trabalho de equipa que começa do topo.

2º Quanto todos são “doutores e engenheiros” e todos querem mandar, é um problema em qualquer empresa. Alguém dentro da empresa ou um novo colaborador assume o cargo de “web manager”“social media manager” ou “community manager” mas precisará sempre da equipa para reagir. Precisa de “impor” alguns comportamentos e atitudes, precisa de alinhar as chefias com a estratégia digital e precisa de compromisso e de autonomia para dizer o que se deve ou não fazer. Muitas vezes o responsável por esta área sabe o que fazer e como fazer mas alguém, hierarquicamente superior, impõe outra atitude (como por exemplo fechar a página do Facebook). Isto compromete todo o processo e que fique bem claro que este cargo deve ser assumido por alguém com grande responsabilidade dentro da empresa.

3º Ninguém quer mais trabalho ou responsabilidade. Esta é uma realidade. Em primeiro lugar, em muitos casos temos maus profissionais que temem a exposição das redes sociais. Não querem interagir com os clientes porque não têm capacidade para o fazer e não estão aptos para lidar com estes novos comportamentos lidando com questões sensíveis. Por outro lado, quando falamos de gestão de redes sociais de uma grande Marca, temos que ter noção que podem surgir questões de todo o tipo como tal, os departamentos têm que estar alinhados e, como referido no 2º ponto, têm que respeitar o papel do responsável por esta área. Sacudir a responsabilidade para o departamento “vizinho” não resolve o problema, faz com que a resposta se atrase e com que a informação se possa propagar com maior intensidade.
O profissional de Marketing Digital e as equipas têm que conseguir melhorar processos e responder rapidamente às questões. Não é fácil mas, para o bem das Marcas, parece-me um caminho inevitável.

Marketing é uma função organizacional e deve ser transversal a toda a equipa. Todos devem compreender os novos comportamentos do consumidor, devem compreender o impacto do “digital” nas organizações (para o bem e para o mal) e devem entender que cada atitude que tenham se pode alastrar “ao mundo”.

Pós graduação Marketing e Empreendedorismo do IPAM (2ª edição)

 

Depois do sucesso da 1ª edição de onde surgiram projetos muito interessantes, com potencial de investimento para serem implementados, eu, o meu colega Marco Lamas e o Instituto Português de Administração e Marketing decidimos apostar numa 2ª edição da Pós-Graduação em Marketing e Empreendedorismo, no Porto.

Para mim esta aposta é inevitável visto que a 1ª edição ajudou os alunos a adquirirem novas competências para enfrentarem o mercado de trabalho e, no final, surgiram projetos com muito potencial para serem implementados já com financiamento. Costumava dizer ao Marco, em tom de brincadeira, que se criássemos apenas um posto de trabalho já era uma vitória todavia; parece-me que nesta 1ª edição criámos mais do que isso. Temos pessoas aptas para o mercado, orientadas para os resultados e com muita energia positiva para injetar no nosso tecido empresarial.

Tentamos ao máximo acompanhar o projeto dos alunos do primeiro dia ao último, preparando-os desde a pesquisa do mercado até à venda do seu projeto a potenciais investidores. É um caminho longo, mas a 1ª edição mostrou-nos que é possível fazer a diferença. Nesta Pós-Graduação queremos criar verdadeiras propostas de valor e, reconhecendo os desafios da conjuntura atual, só nos resta acreditar que o investimento nesta formação se pode transformar em algo simbólico para dar o passo para algo diferente e inovador”.

Procuramos também representar o mercado de trabalho e, o mercado é complexo, exigente e turbulento. Não facilitamos e gostamos de ver os nossos alunos pressionados e a superarem os seus limites. Esta não é uma Pós-Graduação para ‘passear’; é uma Pós-Graduação para aprender e, mais do que isso, para trabalhar

Para nós foi evidente que os alunos da 1ª edição tiveram alturas duras e acredito que nem eles achavam que era possível trabalhar tanto em tão pouco tempo. Foram notáveis; excederam-se.

Um dos fatores diferenciadores desta formação está na sua metodologia eminentemente prática. Os alunos desde a primeira aula que são incentivados a pensar num projeto para ser construído, passo a passo, durante a vigência da Pós-Graduação. Disciplinas complementares como Empreendedorismo, Gestão Estratégica, Criatividade e Inovação, Finanças, Marketing, Marketing Digital, Gestão Comercial e Vendas, Gestão da Marca, Comunicação Integrada, Gestão de Pessoas, Direito Empresarial, fazem desta formação uma das grandes referências nesta área.

Um sincero agradecimento aos alunos, ao corpo docente e a todos que contribuíram directa e indirectamente para o sucesso da 1ª edição da Pós Graduação e claro, um grande abraço para todos aqueles que vão fazer parte desta 2ª edição. Vamos empreender!

A Pós-Graduação vai ter início no dia 8 de Novembro, no IPAM – Porto.

 

Alguns testemunhos de quem esteve presente na 1ª edição

Susana Lima – antiga aluna

Manuel Névoa – Investidor presente nas apresentações finais

Vitor Sá Carneiro – Investidor presente nas apresentações finais

Ricardo Valente – docente do módulo

Toda a informação disponível em Pós Graduação em Marketing e Empreendedorismo do IPAM